
Com hospitais registrando aumento de atendimentos respiratórios, médico alerta que a baixa procura pela vacina está diretamente ligada aos casos mais graves da doença.
A chegada do inverno trouxe novamente um cenário de preocupação para a saúde pública. O aumento dos casos de gripe, influenza e outras viroses respiratórias já é percebido nas unidades de saúde e nos hospitais, enquanto especialistas reforçam um alerta que os números tornam impossível ignorar: a influenza continua matando, e as vítimas têm uma característica em comum — não estavam vacinadas.
A afirmação é do médico Dr. Etiane Messerschmidt, que participou de entrevista para esclarecer dúvidas da população sobre as doenças respiratórias típicas desta época do ano. Segundo ele, embora muitas pessoas ainda tratem a gripe como um problema passageiro, a realidade observada nos serviços de saúde mostra que a doença pode evoluir rapidamente para quadros graves, especialmente entre idosos, crianças pequenas, gestantes e pacientes com doenças crônicas.
O médico destaca que os meses de junho, julho e agosto representam o período de maior circulação dos vírus respiratórios. Com isso, cresce também a procura por atendimento em razão de sintomas como febre alta, dores musculares, tosse persistente, coriza, cansaço intenso e falta de ar.
“Nós estamos no auge da circulação dos vírus respiratórios. O que mais preocupa é a influenza, porque ela é uma doença que pode ser prevenida através da vacinação, mas a procura ainda está abaixo do que deveria”, afirma.
De acordo com os dados apresentados por Dr. Etiane, o Rio Grande do Sul já contabiliza milhares de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2026. Entre os casos confirmados de influenza, a situação chama a atenção pela relação direta entre agravamento e ausência de imunização.
“Praticamente 99% das internações por influenza ocorreram em pacientes não vacinados. E o dado mais preocupante é que todos os óbitos registrados pela doença aconteceram em pessoas que não haviam recebido a vacina”, ressalta.
Para o especialista, esses números desmontam um dos principais argumentos utilizados por quem ainda resiste à imunização. Segundo ele, a vacina não serve apenas para evitar a infecção, mas principalmente para impedir que a doença evolua para formas graves, reduzindo drasticamente o risco de hospitalização e morte.
“A pessoa pode até ter contato com outros vírus respiratórios, mas a vacina contra influenza foi desenvolvida justamente para proteger contra os vírus que mais provocam complicações. O risco de agravamento cai de forma muito significativa”, explica.
Outro ponto abordado pelo médico é o mito de que a vacina provoca gripe. Ele lembra que os imunizantes atuais utilizam apenas fragmentos do vírus e não possuem capacidade de causar a doença.
“Muitas vezes a pessoa faz a vacina quando o vírus já está circulando fortemente. Ela acaba adoecendo dias depois e atribui isso à vacina. Na realidade, o organismo ainda estava formando os anticorpos necessários para a proteção”, esclarece.
Além da vacinação, o especialista recomenda medidas básicas que continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão. Entre elas estão a higiene frequente das mãos, ambientes ventilados, hidratação adequada, alimentação equilibrada, sono regular e o uso de máscara quando houver sintomas respiratórios, especialmente ao entrar em contato com idosos, bebês ou pessoas imunossuprimidas.
Dr. Etiane também faz um alerta para os sinais de gravidade. Febre persistente, falta de ar, retorno da febre após alguns dias de melhora, dor no peito e piora progressiva dos sintomas devem motivar a procura imediata por atendimento médico.
“A influenza não é apenas uma gripe forte. Ela pode levar a pneumonias, internações em UTI e até à morte. Hoje nós temos uma ferramenta segura, disponível e comprovadamente eficaz para evitar isso. A vacinação continua sendo a principal proteção da população”, conclui.





















