16 de Janeiro, 2026 08h01msaúde por Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Alimentação equilibrada começa na rotina e reflete diretamente na qualidade de vida

Dietas da moda prometem resultados rápidos, mas hábitos saudáveis constroem saúde duradoura

Nutricionista Marceli Refatti compartilha orientações práticas sobre hábitos alimentares, perda de peso e o papel da nutrição na promoção da saúde.

A alimentação saudável não deve ser encarada como algo complicado ou distante da rotina das pessoas. Para a nutricionista Marceli Refatti, o ponto de partida está em atitudes simples, repetidas diariamente, e que fazem grande diferença no funcionamento do organismo. Atuando no Hospital Annes Dias, ela destaca que comer bem é uma forma direta de cuidar da saúde e prevenir problemas futuros.
Segundo Marceli, um dos erros mais comuns é passar muitas horas sem se alimentar. “É mais saudável comer em pequenas quantidades, mas em intervalos menores, do que ficar muito tempo sem comer e exagerar depois. Quando o corpo fica em restrição por muito tempo, o metabolismo desacelera, porque ele tenta poupar energia, e isso acaba dificultando a perda de peso”, explica. Além disso, ela observa que esse comportamento costuma levar à escolha de alimentos mais calóricos na refeição seguinte, como uma forma de compensação do organismo.
Outro aspecto que a nutricionista reforça é a maneira como as pessoas se alimentam. Para ela, comer com pressa prejudica todo o processo digestivo. “O nosso organismo precisa de tempo para processar os alimentos. Grande parte das enzimas digestivas é estimulada pela visão, pelo cheiro, pelo paladar. Por isso, é importante preparar a refeição com atenção e comer com calma”, afirma.
A mastigação também recebe atenção especial. “A digestão começa na boca. Quando a gente mastiga bem, tritura o alimento e mistura com a saliva, facilita todo o processo digestivo. Se isso não acontece, o corpo demora mais para entender que já está saciado, e a pessoa acaba comendo mais do que precisa”, detalha. Marcele orienta que cada refeição tenha, pelo menos, cerca de 20 minutos, justamente para respeitar esse tempo natural do organismo.
Sobre o consumo de líquidos, a nutricionista é direta. “O ideal é não ingerir líquidos junto com as refeições. O líquido atrapalha a mastigação e o processo digestivo. O correto é beber água ao longo do dia, cerca de meia hora antes ou até uma hora depois das refeições”, orienta. Ela reforça que a hidratação é fundamental para o transporte de nutrientes e para o bom funcionamento do corpo, e sugere um indicativo simples: “Quanto mais clara estiver a urina, mais hidratado o organismo está”.

No campo da escolha dos alimentos, Marceli defende o consumo de integrais, frutas, verduras e legumes. “Os alimentos integrais preservam nutrientes importantes que ficam na película do grão. Eles ajudam a manter a glicemia mais controlada e são ricos em fibras, que alimentam as bactérias boas do intestino, auxiliam no controle do colesterol e aumentam a saciedade”, explica. Já frutas e hortaliças, segundo ela, são fontes essenciais de vitaminas, minerais e fitoquímicos antioxidantes, que atuam na proteção das células.
A nutricionista também alerta para o consumo excessivo de alimentos industrializados. 
“Sempre que possível, é melhor optar por alimentos mais naturais. Produtos industrializados têm muitos corantes, conservantes e sódio. Com o tempo, isso pode contribuir para problemas como hipertensão e sobrecarga dos rins”, observa. 
Ela cita como exemplo a preferência por molhos caseiros e sucos naturais, em vez de versões prontas.
Quando o assunto são as dietas da moda, Marceli adota um tom cauteloso. “Toda semana surge uma dieta que promete resultados rápidos, mas, na maioria das vezes, o que vem junto é o efeito sanfona e a frustração. A pessoa até emagrece, mas não sustenta”, avalia. Para ela, o foco deve estar na qualidade de vida. “Não é o número da balança que define saúde. O equilíbrio entre alimentação saudável, atividade física e descanso é o que traz resultados duradouros”.
Ela também critica dietas que restringem grupos alimentares. “Virar vegano de uma hora para outra, comer só proteína ou só salada não é sinônimo de alimentação saudável. O ideal é um prato colorido, com fibras, vitaminas, minerais, carboidratos e proteínas. É isso que o corpo precisa”, resume.
No trabalho hospitalar, Marceli lida diariamente com pacientes que possuem diferentes patologias e necessidades específicas. “Cada paciente exige uma dieta adequada, sempre baseada na orientação médica. Além disso, eu procuro reforçar constantemente a importância da alimentação saudável, porque ela faz parte do tratamento e da recuperação”, afirma.
Ao falar sobre a profissão, a nutricionista destaca que o nutricionista atua muito além da prescrição de dietas. “Nós cuidamos da saúde através da alimentação. Identificamos problemas alimentares, ajudamos a corrigir hábitos e trabalhamos na prevenção de doenças como diabetes, obesidade e distúrbios metabólicos”, explica. Para quem pensa em seguir a carreira, o recado é de incentivo: “É uma profissão essencial, que promove qualidade de vida. Quem se identifica com essa área pode ir sem medo, porque é um trabalho que realmente faz a diferença”.

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