20 de Fevereiro, 2026 10h02mEmpreendedorismo por ANDREI GRAVE

Fotografar com amor: a trajetória de Eliseu Feiten e Karine Araldi na construção da Foto Magia

Casal de Ibirubá soma mais de três décadas de dedicação à fotografia, unindo tradição, inovação e sensibilidade no registro das histórias

Com mais de 30 anos dedicados à fotografia, Eliseu Feiten transformou a paixão iniciada ainda na adolescência em uma trajetória sólida no setor. Ao lado da companheira Karine Araldi, construiu a Foto Magia — hoje referência em Ibirubá e região — unindo técnica, sensibilidade e a missão de eternizar momentos com amor.

A história de Eliseu com a fotografia começou ainda na juventude. “Eu comecei entregando jornal. Era de bicicleta, a pé, no fim de semana. Depois surgiu a oportunidade de crescer dentro da empresa”, relembra. Aos 16 anos, passou a atuar como repórter fotográfico. “Eu tinha que entrevistar, escrever a matéria e fotografar com câmera de filme. A gente aprendia na marra. Não tinha visor digital. Fotografava na segunda e só via a foto na sexta, quando revelava.”
Ele atuou no Jornal Visão Regional e no Jornal O Alto Jacuí. “Eu aprendi muito com os colegas mais antigos. Foi ali que comecei a gostar mesmo da fotografia”, afirma.
O desafio técnico era constante. “Teve uma vez que eu abri a câmera sem experiência e queimei o filme. Perdi as fotos da reportagem e levei uma bronca. Mas isso faz parte. É assim que a gente cresce.”
Na sequência, Eliseu foi para a antiga Foto Zamboni, onde mergulhou de vez no universo dos casamentos e eventos. “Naquela época era dois casamentos na sexta e dois no sábado. Era muita festa, muita gente. A gente revelava filme o dia inteiro. Uma foto 3x4 levava um dia para ficar pronta.”
A chegada da fotografia digital provocou incertezas. “Quando o seu Olavo Stefanello trouxe a primeira câmera digital e disse que era o futuro, a gente não acreditou. Pensou que não ia dar certo”, conta. O receio era de que o impresso acabasse. “Teve um período que a gente achou que a fotografia ia morrer. Mas foi o contrário. Ela se reinventou.”
Em 2008, nasceu a Foto Magia. “Eu sempre quis ter meu espaço. Quando abri, em três meses já tinha três funcionários. A demanda era grande e a gente estava sempre buscando inovação”, relata. Ele lembra das idas a São Paulo para cursos e feiras. “Eu via as tendências e pensava: preciso levar isso para Ibirubá. Nem tudo dava para aplicar, mas a gente tentava evoluir.”
Foi também em 2008 que Karine entrou na empresa. Natural de Santa Bárbara do Sul, ela não tinha planos de ser fotógrafa. “Eu nunca sonhei com isso. Eu era vendedora e queria mudar de área. Fui falar com o Eliseu para trabalhar como secretária. Eu dizia: ‘Eu não sei nem colocar um pendrive no computador’”, conta.
Ela começou no atendimento e na edição de imagens. “Eu gostava muito de editar, de ver o resultado final. Mas fotografar me dava medo. Eu sentia o peso da responsabilidade.”
A virada veio anos depois. “Lá por 2015, vendo a necessidade da empresa, resolvi tentar de novo. Fui como segunda fotógrafa em um evento infantil. Cheguei em casa pensando no que podia melhorar. Sou muito perfeccionista”, afirma.
Aos poucos, conquistou espaço. “Eu comecei a gostar porque é muito mais do que apertar um botão. É sentir o momento, conhecer as histórias das pessoas.” Hoje, atua em casamentos e ensaios, imprimindo seu próprio estilo. “Cada fotógrafo tem seu olhar. O meu é mais sensível, mais atento aos detalhes.”
A parceria profissional evoluiu naturalmente para a vida pessoal. “A sintonia foi tanta que foi para o coração também”, diz Eliseu. Karine complementa: “A gente precisou ser muito parceiro e muito amigo antes de ser casal. Trabalhar junto exige diálogo. A gente conversa muito.”
Ao longo da trajetória, Eliseu também se destacou na filmagem. “Eu já fiz casamento sozinho, filmando e fotografando. Hoje isso não existe mais.”
Apesar da tecnologia, o casal defende o álbum físico. “Muita gente só revela foto depois que perde tudo no celular”, observa Karine. Eliseu reforça: “A gente não entrega só no pendrive. O álbum precisa existir. É ele que vai contar a história daqui a 30 anos.”
Para eles, o propósito vai além do negócio. “Registrar momentos felizes das pessoas é uma missão. A gente fotografa com amor”, resume Eliseu. Karine conclui: “A fotografia é memória. É o que fica quando o tempo passa.”

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