19 de Dezembro, 2025 09h12mEntrevista por ANDREI GRAVE

Tecnologia, desatenção e falta de estímulo: os desafios da aprendizagem na infância

Dificuldades de aprendizagem crescem entre crianças e adolescentes A psicopedagoga Justina Ubessi fala sobre os principais desafios do ensino hoje, o impacto das telas e como ajudar as crianças e adolescentes a superarem barreiras na escola.

Dificuldades de aprendizagem crescem entre crianças e adolescentes

A psicopedagoga Justina Ubessi fala sobre os principais desafios do ensino hoje, o impacto das telas e como ajudar as crianças e adolescentes a superarem barreiras na escola.

Cresce o número de crianças e adolescentes com dificuldades no processo de aprendizagem. A psicopedagoga Justina Ubessi aponta fatores como o uso precoce de tecnologias, a falta de acompanhamento familiar e a estrutura limitada da rede pública como causas principais do problema. Segundo ela, é cada vez mais comum receber crianças do terceiro ano do ensino fundamental que ainda não foram alfabetizadas.
De acordo com a especialista, o uso do celular desde muito cedo tem provocado impactos significativos no comportamento e na atenção dos alunos. “O celular é comparável a uma droga. A criança se acalma com ele e vai perdendo a capacidade de foco, de concentração. A tecnologia pode ser uma aliada, mas está sendo usada como distração excessiva”, alerta.
Outro ponto levantado é a ausência da família no acompanhamento da vida escolar. Justina reforça que muitos pais acreditam que os filhos maiores são autônomos e não precisam mais de apoio. “Mesmo os adolescentes precisam de incentivo e interesse dos pais. Quando a família se afasta, o rendimento cai e o aluno tende a se desmotivar.”
Além disso, ela destaca que há uma tendência de as escolas identificarem os problemas apenas quando já estão agravados. A orientação é buscar ajuda assim que surgirem os primeiros sinais de atraso no desenvolvimento, dificuldade de concentração ou comportamento fora do padrão da idade. Quanto mais cedo for feita a avaliação psicopedagógica, maiores as chances de superar a dificuldade.
Justina também chama atenção para a diferença entre alunos que realmente têm um transtorno, como TDAH ou autismo, e aqueles que apresentam dificuldades de origem emocional ou pedagógica. “Nem todo aluno agitado tem TDAH. Em muitos casos, a causa está na rotina, na falta de limites, ou na ausência de estímulos adequados em casa. A avaliação profissional é essencial para não haver diagnósticos equivocados.”
Sobre a estrutura nas escolas, ela aponta a necessidade de equipes multidisciplinares. “Fala-se em inclusão, mas o professor está sozinho em sala com 25 alunos e não tem condições de atender individualmente cada um, especialmente os que têm necessidades específicas.” Ela defende a presença de psicopedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos atuando de forma integrada com a escola e a família para criar uma cultura de valorização do estudo. Para ela, a aprendizagem exige disciplina e acompanhamento. “Crianças aprendem quando têm estímulo, rotina e atenção. A tecnologia, se mal utilizada, pode atrapalhar mais do que ajudar.” A clínica fica na Rua Dumoncel Filho, esquina com a Rua Mérito, em frente a Gráfica Ibirubá.

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