26 de Agosto, 2026 16h08mDança Sênior por REDAÇÃO INTEGRADA

Dança Sênior transforma rotina e cria laços há mais de uma década na região

Grupos da OASE de Ibirubá e Quinze de Novembro encontraram na dança um espaço de convivência, saúde e amizade, mantendo uma trajetória que já atravessa gerações

Muito antes de representar Ibirubá e Quinze de Novembro em encontros realizados em diferentes estados brasileiros, a Dança Sênior já havia conquistado seu espaço dentro das comunidades locais. O que começou como uma atividade ligada à OASE – Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas – transformou-se, ao longo dos anos, em um ponto de encontro para mulheres que encontraram na música e no movimento uma maneira de cuidar da saúde, construir amizades e manter uma vida ativa.

Em Ibirubá, a história do grupo já soma cerca de 16 anos. Em Quinze de Novembro, a atividade também possui uma caminhada superior a uma década. À frente desse trabalho está Lorna Schweig, que encontrou na Dança Sênior a possibilidade de unir duas coisas que sempre fizeram parte de sua vida: o voluntariado e a paixão por dançar.

Dentro da OASE, a dança passou a complementar uma atuação que tradicionalmente envolve atividades religiosas, trabalhos artesanais, visitas e ações comunitárias. Lorna explica que os encontros oferecem também um momento de lazer e de libertação das preocupações cotidianas. “Às vezes você dançando dá uma aliviada daquilo que você carrega dentro de ti”, resumiu.

Os ensaios são realizados regularmente nas duas cidades. Mas quem acompanha o grupo percebe rapidamente que eles vão muito além da preparação de coreografias. Há erros, risadas, brincadeiras e, principalmente, convivência. Para Lorna, é justamente a transformação percebida nas participantes que dá sentido ao trabalho voluntário.

“Não é dinheiro que me pague o que eu vejo nas pessoas, a evolução, o bem-estar, a alegria”, afirmou. Segundo ela, os ensaios se tornaram verdadeiros momentos de confraternização.

A Dança Sênior possui uma metodologia própria. Surgida na Alemanha, chegou ao Brasil ainda na década de 1970 e trabalha com coreografias pesquisadas e registradas, pensadas especialmente para as características do público idoso. Há danças em pares, em roda e também coreografias realizadas na posição sentada.

Esse último formato tem importância especial para o caráter inclusivo da atividade. Quem já não possui a mesma mobilidade para executar uma dança em pé continua participando, movimentando pés e mãos, acompanhando o ritmo e realizando movimentos com o corpo.

“Ela também é incluída. Então ela não fica rejeitada, sentada de lado, não podendo participar”, explicou Lorna.

A atividade exige também memória e concentração. É preciso recordar passos, acompanhar a música, perceber os movimentos das colegas e manter a sequência da coreografia. Para Iria Güntzel, de Quinze de Novembro, esse conjunto de estímulos ajuda a explicar por que a dança se tornou tão importante para quem participa.

Aos 71 anos, ela carrega uma longa trajetória de envolvimento com atividades destinadas à terceira idade e esteve entre as fundadoras dos grupos de terceira idade de Quinze de Novembro e Santa Clara do Ingaí. “Essas danças são muito boas para a mente e para o corpo. As coreografias, os passos, o ritmo da música, tu tem que acompanhar”, destacou.

Cada participante, porém, chegou ao grupo por um caminho diferente.

Iria Brenner encontrou na dança uma nova direção depois da perda do marido. Incentivada por Lorna, começou a frequentar os ensaios e descobriu uma atividade que passou a fazer parte de sua rotina. “Eu vejo na dança um complemento para o meu dia a dia”, contou. A relação tornou-se tão forte que ela compara o efeito da atividade ao alimento necessário para começar o dia.

Elvi Moresco chegou à OASE inicialmente acompanhando a mãe, que já participava da Dança Sênior. Depois da morte dela, decidiu continuar frequentando o grupo, lembrando do incentivo que havia recebido para permanecer naquela convivência. Ficou e encontrou seu próprio espaço.

Elvi e o marido, Darci Moresco, também construíram uma história ligada aos encontros nacionais. Segundo Lorna, os dois participam desde o primeiro Circuito Brasileiro e mantiveram a presença nas diferentes edições realizadas pelo país.

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Para outra das integrantes de Quinze de Novembro, a chegada à dança ocorreu depois de anos de intensa atuação profissional e no poder público. A mudança de rotina permitiu descobrir uma fase diferente da vida. “Agora eu me soltei mais, eu sou mais eu, mais leve. Estou vivendo a vida mais leve agora”, relatou ao falar sobre o significado que a atividade passou a ter.

Essa diversidade de histórias ajuda a explicar por que o grupo se tornou mais do que uma atividade física. A dança aparece como ponto de encontro entre mulheres que atravessaram diferentes momentos da vida e que encontraram uma oportunidade de estabelecer novas metas.

Isso fica evidente inclusive entre as integrantes mais experientes. No grupo que participou do Circuito Brasileiro em Florianópolis estavam duas senhoras de 85 anos, Guilhermina Saft e Normi Horbach. Mesmo diante de coreografias que exigiam dedicação nos ensaios, ambas acompanharam a preparação. Lorna recorda especialmente a determinação de Normi: “Eu vou acertar, eu estou errando, mas eu vou acertar”. E acertou.

Ao longo dos anos, a trajetória construída em Ibirubá e Quinze de Novembro também levou as participantes para diferentes regiões do Brasil. Os grupos já estiveram em encontros realizados em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Espírito Santo, Foz do Iguaçu e outros destinos. As viagens acrescentaram à dança a oportunidade de conhecer lugares e estabelecer contato com grupos de diferentes estados.

Em agosto, essa caminhada ganhou mais um capítulo com a participação no 10º Circuito Brasileiro de Dança Sênior, realizado entre os dias 23 e 26, em Florianópolis. Desta vez, 16 mulheres integraram o grupo de dança que representou Ibirubá e Quinze de Novembro. A comitiva foi ainda maior, chegando a aproximadamente 36 pessoas com acompanhantes.

A participação nacional, entretanto, é consequência de um trabalho que acontece durante todo o ano dentro das próprias comunidades. São os encontros regulares, a repetição dos passos, as conversas, as brincadeiras e a expectativa pela próxima atividade que mantêm o grupo unido.

E as portas permanecem abertas. Apesar de a atividade estar vinculada à OASE, mulheres interessadas podem procurar as integrantes e participar dos ensaios. A intenção, segundo Lorna, é fazer com que os benefícios cheguem a mais pessoas, independentemente de já integrarem ou não a entidade.

Depois de tantos anos acompanhando os grupos, Lorna resume a relação com a dança de maneira simples: ela deixou de ser apenas uma atividade e passou a integrar sua própria identidade.

“Eu não seria eu se não estivesse envolvida em grupos, com pessoas”, afirmou. “O dia que eu não puder mais dançar, não serei mais eu. A dança está em mim.”

É esse sentimento que ajuda a manter viva uma história iniciada há mais de uma década em Ibirubá e Quinze de Novembro. Uma trajetória na qual apresentações e viagens são importantes, mas representam apenas uma parte do que foi construído. No cotidiano, a maior conquista está naquilo que acontece a cada encontro: mulheres que continuam aprendendo, convivendo, criando amizades e descobrindo que sempre pode existir um novo passo para dançar.

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