
Autoridades municipais explicaram que o impacto da falta de chuva já é sentido em lavouras de soja e milho, com perdas importantes em várias regiões do interior, mas a formalização de um decreto ainda depende de laudos técnicos, comprovações documentais e do enquadramento exigido pelos órgãos estadual e federal.
A estiagem que atinge Ibirubá e boa parte do Rio Grande do Sul já provoca reflexos concretos na produção agrícola e aumenta a apreensão entre produtores, lideranças do setor e poder público. Em entrevista, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Agropecuária e Ambiental, Liberto Franken, e o coordenador municipal da Defesa Civil, Oneide Neuland, detalharam o trabalho que vem sendo feito pelo Conselho Agropecuário para avaliar os danos e esclareceram que, apesar da gravidade do cenário no campo, o município ainda não reúne todos os requisitos necessários para sustentar um decreto de situação de emergência.
Liberto explicou que a mobilização começou ainda no fim de janeiro, quando agricultores passaram a procurar a secretaria cobrando providências diante das perdas nas lavouras. Desde então o Conselho Agropecuário, com apoio da Emater e da Defesa Civil, vem se reunindo para acompanhar o comportamento da estiagem, mapear os prejuízos e reunir informações técnicas.
“Os agricultores nos procuraram já em janeiro pedindo esse decreto, mas são muitos dados necessários, não é algo simples de fazer”
De acordo com o secretário, o quadro no município é bastante irregular, com volumes de chuva muito diferentes entre regiões. Ele destacou que áreas como Linha 2, Linha 3, São Paulo Pontão, parte do Pinheirinho e regiões entre Alfredo Brenner e Capela Fátima estão entre as mais afetadas. “Tem regiões que realmente a safra vai vir aí para os seus 20, 25, 30 sacos por hectare”, relatou.
A produtividade deve ficar entre 35 e 40 sacas por hectare, próxima ao custo de produção, estimado entre 30 e 32 sacas, o que reduz a margem dos produtores. Em anos normais, o potencial chega a até 65 sacas, evidenciando a quebra nesta safra. Além da soja, o milho também foi afetado e há reflexos na produção leiteira. “Isso tudo impacta diretamente na economia do município, na arrecadação, em toda a cadeia”, afirmou.Do ponto de vista técnico, Oneide Neuland ressaltou que a decretação de emergência exige comprovações formais.
“O que consta para nós é tudo no papel, tudo no laudo. Tem que ter documento da assistência social, da agricultura, da Emater, da Defesa Civil, tudo com data, hora e comprovação”, explicou.
Ele destacou que um dos principais fatores analisados é a existência de danos à população, especialmente relacionados ao abastecimento de água, o que não foi registrado até o momento em Ibirubá. “Não faltou água na torneira. Não teve caminhão-pipa levando água, não teve esse tipo de atendimento que precisa estar documentado”, afirmou.
Neuland também ressaltou que a situação do município é considerada pontual, com problemas localizados e não generalizados. “A dificuldade é pontual, não é geral no município. Isso foi colocado para nós nas orientações da Defesa Civil”, disse.
Apesar das limitações atuais, o secretário Liberto Franken reforçou que o trabalho de levantamento continua e que o cenário ainda pode evoluir. “Nós estamos passando pelo mês de março, que historicamente é de pouca chuva, e ainda temos abril pela frente. Pode acontecer de surgirem fatores que hoje ainda não apareceram”, afirmou.
Ele acrescentou que o decreto não está descartado, mas dependerá dos dados consolidados ao final da colheita. “Não está totalmente descartado. Se lá na frente surgirem esses elementos, o município pode trabalhar em cima de um decreto”, concluiu.




















