13 de Março, 2026 09h03mMOMENTO ESTRELA GUIA por Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Casal cubano recomeça a vida em Ibirubá e sonha em ensinar handebol na cidade

Eles trabalham atualmente na cidade enquanto buscam validar os diplomas no Brasil e sonham em ensinar o esporte para crianças e jovens

Formados em Educação Física e com carreira no esporte, Ayling Martínez Duany e Gilber Riveiro deixaram Cuba por causa da crise econômica e encontraram trabalho, acolhimento e novos planos no município.

 

A decisão de sair de Cuba foi motivada principalmente pela crise econômica enfrentada no país. Gilber explica que o salário não acompanha o custo de vida. “O salário de um profissional formado fica em torno de 59 dólares. Um pacote de frango custa cerca de 3.000 pesos. Assim não dá para viver até o outro mês”, relata.
Gilber deixou Cuba em setembro de 2024 e Ayling em outubro de 2025. A viagem até o Brasil foi longa e cheia de etapas. Segundo ele, o trajeto incluiu passagem pela fronteira de Pacaraima, deslocamento até Manaus e depois um voo até Curitiba, antes de seguir de ônibus até o Rio Grande do Sul.
Antes de chegar a Ibirubá, Gilber trabalhou dez meses em Quinze de Novembro, na Alibem. Mais tarde, também atuou seis meses na Agross do Brasil. 
O casal mora em um apartamento no prédio da Mauá Veículos, e afirma ter sido bem recebido pela comunidade. “Estamos muito agradecidos ao Brasil por nos acolher. Aqui podemos trabalhar e ajudar também a família que ficou em Cuba”, diz Gilber. Ambos trabalham no ramo varejista de supermercados, ela na Cotribá e ele na Casa do Chimarrão.
Ayling traz no currículo uma carreira destacada no handebol. Ela foi campeã centro-americana, medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos e eleita melhor extremo do torneio pan-americano disputado no Rio de Janeiro em 2007. Apesar das conquistas, faltou apenas disputar uma Olimpíada. “Esse era o sonho, ser olímpica. Chegamos perto, mas não foi possível”, lembra.
Hoje, o novo sonho do casal é ajudar a desenvolver o handebol em Ibirubá. Durante a entrevista, eles comentaram que ficaram surpresos ao perceber que o esporte praticamente não é praticado na cidade atualmente. “Não encontramos quadras ou equipes de handebol aqui. Queremos ensinar o esporte para crianças e jovens e ajudar a desenvolver essa modalidade”, afirma Ayling.
Além do trabalho e dos planos no esporte, os dois também estão em processo de adaptação à nova realidade no Brasil. Para atuar profissionalmente na área de Educação Física, será necessário validar os diplomas obtidos em Cuba. O processo inclui a legalização de documentos, histórico escolar e análise por uma universidade brasileira.
Mesmo diante desses desafios burocráticos, o casal demonstra otimismo com o futuro. “Estamos felizes aqui e queremos crescer junto com a comunidade”, conclui Gilber.

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