
Quem chega hoje à sede da ONG Filhos do Coração encontra Kelwin Fernandes orientando alunos, corrigindo posições dos instrumentos e dividindo o conhecimento adquirido ao longo de mais de uma década de dedicação à música. A cena poderia parecer comum, não fosse um detalhe que dá um significado especial à trajetória do jovem professor: foi naquele mesmo espaço que ele deu os primeiros passos como aluno e descobriu o caminho que definiria sua profissão.
Hoje, aos 22 anos, Kelwin integra a equipe de professores da sexta edição do curso Jovens Talentos, projeto que oferece formação musical gratuita a crianças e adolescentes. Ao lado do maestro Nei leandro Schneider, ele ministra aulas de oito instrumentos diferentes, entre eles teclado, bateria, baixo e instrumentos de sopro, ajudando a formar músicos que, anos atrás, estavam exatamente na posição que um dia foi a sua.
Para Kelwin, aprender música sempre significou muito mais do que dominar um instrumento.
"A música já é um idioma universal. Uma partitura pode ser lida em qualquer lugar do mundo, mas cada instrumento também tem sua própria linguagem e sua própria forma de comunicação."
Essa maneira de enxergar o ensino acompanha seu trabalho em sala de aula. Além da técnica, ele procura desenvolver nos estudantes disciplina, dedicação e confiança, características que considera fundamentais para qualquer profissão.
Kelwin lembra que iniciou as aulas por volta dos nove anos e acompanhou o crescimento do projeto desde os primeiros dias de funcionamento. Hoje, é o único aluno daquela primeira turma que permanece diretamente ligado à instituição.
"É muito gratificante perceber esse ciclo acontecendo. Eu comecei aqui quando a ONG também estava começando. Agora volto como professor, ajudando outros jovens a seguirem esse mesmo caminho."
Segundo ele, a oportunidade oferecida pelo projeto representa muito mais do que o acesso gratuito ao ensino musical. Em sua experiência, a formação abre portas para novas oportunidades acadêmicas, profissionais e culturais, permitindo que muitos jovens descubram talentos que talvez nunca fossem desenvolvidos.
A música também deixa reflexos que ultrapassam os limites do palco. O contato com apresentações públicas, ensaios e trabalho em grupo fortalece a autoestima e a capacidade de comunicação dos alunos, habilidades que acabam sendo levadas para a escola, para o mercado de trabalho e para a vida cotidiana.
"Quando o aluno sobe ao palco, ele aprende a enfrentar o público, ganha confiança e leva isso para todas as outras áreas da vida."
Ao lado de cinco professores, Kelwin participa da formação dos estudantes que subirão ao palco no encerramento da sexta edição do curso, previsto para setembro.
Para ele, esse momento tem um significado especial. Não é apenas a apresentação do resultado de meses de ensaios, mas a confirmação de que o projeto continua cumprindo sua missão de transformar vidas por meio da música.
"Eu continuo acreditando nesse trabalho porque vivi isso na prática.
A ONG abriu portas para mim e hoje eu tenho a oportunidade de abrir essas mesmas portas para outras pessoas." conclui.





















