19 de Junho, 2026 08h06mEntrevista por JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Psicologia do Luto ajuda a transformar sofrimento em reconstrução emocional

Psicólogo ibirubense destaca que cada pessoa vive o luto de forma única e alerta para sinais que exigem acompanhamento profissional.

Especialista em Morte e Luto, o psicólogo ibirubense Joel Eloi Franz afirma que cada pessoa vivencia a perda de forma única e que o acolhimento adequado pode evitar o agravamento do sofrimento emocional.

A morte faz parte da experiência humana, mas raramente estamos preparados para enfrentá-la. A perda de um familiar, amigo ou companheiro altera rotinas, desafia emoções e exige uma reconstrução da própria vida. Para o psicólogo ibirubense Joel Elói Franz, especialista em Psicologia do Luto, esse processo não pode ser tratado de forma padronizada.
“O luto é muito pessoal. Precisamos olhar quem está diante de nós e como essa pessoa está reagindo. Não existe uma fórmula igual para todos”, explica.
Com mais de 15 anos de atuação na área da tanatologia — campo que estuda a morte e o luto — Joel destaca que muitas pessoas acabam recebendo interpretações equivocadas sobre o que estão vivendo.

“Uma quantidade considerável 
de pessoas procura atendimento e é considerada deprimida, quando na verdade está enfrentando um luto complicado. O tratamento é diferente e exige um olhar especializado”, afirma.

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Segundo ele, alterações no sono, perda de apetite, irritabilidade e sensação de irrealidade estão entre as reações mais frequentes após uma perda significativa. Em situações traumáticas, especialmente quando a morte ocorre de forma repentina, o impacto costuma ser ainda maior.
“A pessoa pode passar por uma fase de choque e negação. Em alguns casos, continua agindo como se o familiar ainda estivesse vivo. São situações que merecem atenção e, muitas vezes, acompanhamento profissional”, observa.
Durante a entrevista, Joel também destacou a importância dos rituais de despedida, especialmente após experiências coletivas como a tragédia da Boate Kiss e a pandemia da Covid-19.
“Os rituais ajudam a elaborar a perda. Eles dão uma sensação de fechamento. Na pandemia, muitas famílias foram privadas desse momento e isso dificultou o processo de luto para muita gente”, analisa.
Para o especialista, a superação não significa esquecer quem partiu, mas encontrar novos significados para seguir vivendo.

“O luto exige uma reelaboração da vida. A pessoa precisa encontrar um novo sentido para continuar caminhando. Quando isso acontece, ela não deixa de sentir saudade, mas consegue transformar sofrimento em aprendizado”, afirma.

Ao final da conversa, Joel deixou uma reflexão sobre a importância de viver o presente.
“Diante da morte, a grande lição é o aprendizado do amor. A vida ganha qualidade quando dedicamos tempo ao que realmente importa e às pessoas que amamos.”

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